sexta-feira, 14 de setembro de 2012

60 Horas na Estrada




Partimos as onze da noite, levava comigo um travesseiro para que agarrasse a noite inteira a fim de acabar com meu choro, minha companheira de toda vida ia comigo, mas deixava pra trás o único homem da minha vida. Por trás da janela, meu pai também derrubava suas lágrimas silenciosas, e a medida que o ônibus ia, eu o via ficar tão longe de mim.
Desde criança eu era assim, era só pisar em uma rodoviária, aeroporto ou ver o carro se distanciar de longe que o meu coração apertava, meu rosto se transformava e eu acreditava que nunca mais veria quem estava ficando para trás.
Tínhamos três dias de viajem pela frente, então podería chorar o tanto de horas que eu quisesse que ainda assim daria tempo de aproveitar a viajem. Dormi.
Acordei em Presidente Prudente, além de ser demorada a viajem o ônibus parava muito, seja para irmos comer, irmos ao banheiro, fazer higienização ou trocar de ônibus. Nesse momento meu choro já havia cessado, e só conseguia pensar na alegria que seria quando meus primos e minha tia de Campo Grande entrassem no ônibus e fossem conosco em destino as férias a casa da vovó. Entramos novamente, dormimos.
Logo cedo estávamos em alguma cidadezinha do interior do Mato Grosso do Sul tomamos café e seguimos, estava morrendo de ansiedade para conhecer meus novos primos. Na viajem gente que ia para todos os cantos do Brasil, gente que parava na estrada, com muita ou pouca bagagem, e nós que íamos ao último destino, Porto Velho, Rondônia.
Com alguns atrasos, o que é absolutamente comum, finalmente chegamos na cidade de Júlia e Márcio, meus primos e tia Célia. Júlia tinha cinco anos e Márcio vinte e um, para minha surpresa ele era muito mais simpático que ela, mas devia admitir, ela se parecia muito comigo mesmo eu sendo seis anos mais velha. Júlia era mulata, tinha os cabelos cacheados até as costas e um nariz e boca largos, os olhos eram amendoados e puxados para os lados e tão pretos que a pupila e a íris se transformavam em uma única bola gigante, éramos novas, mas nossos corpos já demonstravam o que seriam no futuro, fortes. Nem mesmo no psicológico podíamos nos diferenciar, ao discutir tínhamos a resposta na ponta da língua mas se havia algum sinal de grosseria da outra parte já começávamos a chorar.
* * *
Entre o óleo, eu engolia uma coxinha ao som de alguma música do momento da Banda Rouge, em uma rodoviária com as luzes fracas, tinha um medo apavorante de perder o ônibus e minha mãe então sempre sentava em um lugar onde pudesse visualizar os dois.
Era a nossa segunda noite na estrada.
Entre tantas opções que não davam nem um pouco de água na boca, escolhemos uma churrascaria para o nosso segundo almoço, para três dias de viajem a grana que tínhamos não nos oferecia muito luxo. Nossos pratos eram razoáveis e as carnes passeavam no espeto pelo meio do salão e nós sempre fazíamos um sinal negativo diante dela quando nos era oferecida.
Márcio era tímido, era na dele, mas isso não o tornava um tonto, devido a falta de espaço em nossa mesa, ele se sentou distante de nós.
- Tudo ficou em R$200,00 senhora. – Disse o caixa da churrascaria.
- Impossível, estamos em cinco pessoas, pegamos o mínimo que podíamos e não consumimos carne!
- Este Senhor consumiu R$100,00 no rodízio. – O caixa disse enquanto apontava para o meu primo.
Bufando Célia entortou os olhos para seu filho e ele sem pensar disparou:
- Não sabia que cobravam, eles iam me oferecendo a carne e eu só aceitava.
O moço da churrascaria soltou um riso contido o que não o impediu de nos cobrar.
Pela vergonha que passou Márcio saiu de cara fechada em nossa frente enquanto gozávamos da sua cara.
* * *

Vinte e quatro horas se passaram, os sacos de balas já haviam se esgotado e a nossa paciência também, o tédio e a dor em nossas nádegas só não eram maior que a nossa vontade de chegar ao destino final. Foi quando avistamos o Rio Machado, que fica na cidade de Ji - Paraná, já no Estado de Rondônia, tínhamos no mínimo quatro horas de muita conversa, ou a falta dela, dentro do ônibus.
A partir daí eu já não me lembro mais de nada, não sei se dormi, ou se enchi o saco de ficar observando as coisas. Mas quando me dei conta vi da janela uma moça com o mesmo tipo físico da minha mãe e minha tia e logo abri um sorriso de felicidade misturada com alivio.
Olhando assim, todas juntas, envolvidas em um abraço, foi aí que percebi. Meu Deus! Como se pareciam. Os traços do rosto, os olhos puxados para o lado, a boca pequena, mas bem contornada, e até as manchas do rosto pareciam estar distribuídas igualmente. O que as diferenciava era que Juceli, a tia que nos esperava, era polaca e tinha os cabelos tingidos de vermelho e minha mãe, Sueli, e tia Célia eram morenas.
Caminhamos até o carro e de longe avistamos, um Fusca prata e um Chevette chumbo nos esperavam, optei por ir com meu tio, Chiquinho, no aperto de seu Fusca, respirava feliz a fumaça e a poeira de Porto Velho.



quarta-feira, 30 de maio de 2012

Have a bad Luck

   O mundo está, e não é de hoje, sempre esteve, cheio de pessoas que querem tirar vantagem de todas as formas possíveis, honestamente- ou não.Assim como essas pessoas eu também, claro, adoro pensar em ganhar alguma coisa sem fazer um mínimo esforço, pareço um cãozinho farejador para concursos e sorteios. Digo que não, não acredito, mas quando vejo lá estou eu preenchendo dados cadastrais de uma ficha qualquer de um sorteio qualquer.Por mais promoções que eu participe, meu histórico de prêmios não é louvável. Aos cinco anos mais ou menos, ganhei uma TV Rádio preto e branca de 8", depois disso, participando de rifas de colégio, sorteio do aniversário do mercado,promoções em rádio, aos 19, isso mesmo, 19 anos, me aventurei em uma raspadinha na lotérica e então para minha surpresa, PLIM!! Haviam três números iguais, fui saltitante até a lotérica planejando o que iria fazer com a minha fortuna, cheguei eufórica até no caixa e a moça me disse:
- Seu prêmio é de R$1,00 melhor levar outra raspadinha!
   Puff! Melhor não! Com a sorte que eu tenho vou ter que voltar 500 vezes na lotérica para pegar R$1,00.

domingo, 29 de abril de 2012

Seja Meu

Eu não me canso de dizer
E as vezes sou repetitiva
Pra você eu guardei
As palavras mais bonitas

Sem angústia, nem dor
Porque isso, não combina com amor
O único choro que você me causa
É o choro de alegria

Você me proteje
E dá sentido a minha vida
O único medo que sinto
É de perder você de vista

Tanto amor que eu guardei
Pra alguém que merecia
Esse amor é todo seu
Mas se todo o desse
Talvez te sufocaria

Para não erra na dosagem
Dou um pouquinho cada dia
Dessa maneira, eu terei
Um amor para toda vida

quarta-feira, 21 de março de 2012

Cotidiano Popular

Acordo cedo, já é dia
Tenho que trabalhar
Trabalho bem feito
Noite e dia
Estou no mesmo lugar

Dignidade ao jovem
Respeito ao pai de família
O trabalho enriquece,
Enriquece a burguesia

Desde cedo aprendi
Que eu não posso parar
O proletário trabalha
Pra sua vida melhorar

Evoluimos,progredimos
Para eles ganharem
Como uma máquina, produzimos
E o mínimo, vão nos pagar

Semana inteira, come marmita
Temos que economizar
Pra garantir que no domingo
Tenha o almoço de família.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Considerações Finais


 Primeira Quinzena

     Todos em seus lugares, as cadeiras formavam um circulo, não diferente do
 ensino médio, já podemos observar as tribos, roqueiros, hippies, "hipsters", 
 gente do interior e da metrópole.Maquiagem brilhosa, cílios postiços, salto alto, 
 vestido.Oh wait! Acho que me perdi no caminho.
    O que você faz? O que você quer fazer? Porque está aqui? Respondemos sem
 saber a resposta, procurando adjetivos para nos encaixar no padrão de um 
 brilhante jornalista.
    Qual a sua idade? 17,20,40? Não importa, todo mundo quer ser adulto, ter na 
mesa um livro, falar bonito.Quando na verdade,voltamos a infância e somos aquela criança 
que ganhou seu primeiro livro na escola.
  




segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Tô indo embora

Pediu pra eu vir
Mas não ficou
Queria não dormir
E no peito sentir dor

Ver a moça passar
E brilhar os olhos
Sentir o descansar
Quando dormia em seu colo

Se declarar
Ver a banda tocar
Sair no mundo,sem rumo
E da sua mão não largar

Tanto imaginou
Que até pode ver
As curvas que desenhou
Com a cor que as preencheu

Morena bonita passou
E ele de bobo que foi
Coração guardou
Sem ver,expulsou o amor

Moça que era pra ser
Acabou que se foi
Entre tantas,mais uma
O amor não vingou!

domingo, 8 de janeiro de 2012

Maria Bonita

Fui caminhar na avenida
Pra ver findar o domingo
Que não findava de agonia
Ah! Que falta faz sua companhia

O dia todo passou
E a saudade ficou
A tarde o sol nos veria

E eu teimosa que sou
A chuva não acabou
Com a saudade que eu tinha

Peguei meu carro,e o amor
E pelas ruas eu fui
Até o Bloco te ver

Lua bonita ficou
Iluminou nosso amor
Até o amanhecer